terça-feira, 26 de abril de 2011

Criação

O problema de criar alguma coisa é que ela não muda, ela fica pra sempre. Como quando se cria um personagem. Se criar ele triste, ele será triste para sempre, ele não alterará mais o seu humor, nunca mais, ele terá angustia e sofrerá para sempre, e o pior, por sua causa, outro dia eu desenhei um boneco, boneco palito, como o Adão do “umsabadoqualquer.com”, eu não deveria ter feito o rosto, quando eu fiz, o fiz maligno, com os olhos de uma águia, bravo, um boneco palito vingativo, frio e rancoroso. Felizmente (ou infelizmente), ligeiramente consegui mudar o seu rosto apenas entortando mais os olhos, para um rosto angustiado, triste, triste como se a vida nunca mais será boa como nunca tinha sido! E agora?

Agora não adianta mais, já foi criado, ele será sempre triste. O sentimento que ficou em mim foi de que consegui que ele não fosse rancoroso por uma fração de segundos, contudo, o transformei em alguém que somente sofreará, a culpa é toda minha, e não adianta que eu rasgue o papel, queime e jogue fora. Já foi criado, é como um filho, uma pessoa!

E quantos personagens já foram criados? Quantas vidas criadas e massacradas?

Capitu poderia estar viva e feliz com seu filho até hoje, não fosse Machado de Assis ter criado o Bentinho ciumento e narcisista. A vida de Luke Skywalker poderia ter sido diferente se ele não fosse George Lucas tê-lo feito filho do terrível Darth Vader. Chapeuzinho Vermelho não precisava ter passado por tantos apuros, se não tivesse sido criada tão burra. Jesus poderia ter casado com Maria Madalena.

Enfim, você já me entendeu, criar um personagem, para mim (e que fique bem claro, que é na minha doente cabecinha), e como criar uma vida sem parto, a história se cria e o ser já está pronto, ele já tem sua bagagem biográfica que o moldaram como pessoa.

Uma vez eu li um conto do Wood Allen (do livro “Adultérios”), que falava sobre os personagens quererem mudar o rumo se suas vidas, não se contentaram com o rumo que o escritor estava dando para suas historias de vida, assim eles brigam e argumentam com o escritor para que seus destinos sejam mudados.

Como seria bom que pudéssemos fazer isso conosco, poder dizer pro destino: “-Não! Agora é do meu jeito!”, felizmente, como diria o sábio: “não podemos retornar e fazer de novo do início, mas podemos a começar a fazer um novo fim”. Sabias palavras. Se não estás gostando do rumo que a sua vida esta levando, cabe a ti mudá-lo, é claro que o destino jogará os seus dados, não custa tentar.

Pelo menos nós temos essa opção, podemos nos tornar pessoas mais alegres, bem humoradas. Ou ainda pessoas mais sérias, porque nada pior que um Bobo-alegre, aquele que numa segunda feira as 8:30 da manhã esta com um sorriso de bom-dia, querendo conversar sobre o jogo. Mas imagine o meu pobre boneco palito, não terá essa oportunidade!

Pedro Gomes Moreira

@pedruwitter

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