
...E tinha o Mario, (não, não é esse que tu estas pensando!) o Mario era um jogador de futebol amador que jogava na Associação Esportiva Aliados no campeonato colonial de futebol, jogava quando jovem no time principal, infelizmente ou felizmente depois que a idade chegou, Mario foi passado ao time dos veteranos. O time dos veteranos tinha a vantagem que era mais amador ainda, contando que o campeonato já era de futebol amador, podem imaginar que a carga de responsabilidade colocada nos jogadores veteranos era praticamente nula.
Mario, quando jogador do time principal nunca foi um jogador de muito destaque, era atacante, jogava pela direita, fazia no máximo três ou quatro gols por ano, entretanto a A.E. Aliados, não tinha nada melhor para colocar no lugar, podemos dizer que Mário cumpria a sua função, assim como um funcionário de determinada empresa, que não trás lucro, mas também não causa prejuízos. Resumindo: ele “não fedia e nem cheirava”.
Na vida Mario também era assim, não era um homem de muito prestigio, mas também não era alguém que não se pudesse confiar. Trabalhou em vários ramos de atividade, desde vendedor de galinha, a pastor de igreja pentecostal, essa inconstância financeira fez com que sua esposa (a sua não, a dele) o deixasse quando tinha por volta de 45 anos. Mario não era um homem que pudesse se chamar de feio, tinha seu charme, entretanto depois que a esposa o deixou, Mario encontrou uma outra companheira, “a garrafa”. Começou bebendo somente aos finais de semana depois dos jogos, depois seu reduto começou a ser os bares e botecos próximos a sua residência, com o tempo não era encontrado de outro jeito a não ser cambaleando.
Contudo não deixou o futebol colonial, e como o vício também não o deixava, ele começou a ir para os jogos bêbado mesmo, foi ai que o destino de Mario e do “Aliados” começou a mudar. O futebol de Mario, que como já foi dito, era de medíocre a regular, começou a ficar impressionantemente melhor. A cada jogo fazia de 2 a 4 gols, alcançando a magnífica marca de 7 gols numa só partida (Aliados 8 x 1 Copacabana) sempre botando a defesa para correr. Até mesmo sem uma grande estatura (1,78 m.), emplacava grandes gols de cabeça, fez até um de bicicleta no clássico (Botafogo 1 x 3 Aliados). Foi comparado a Pelé pelo grande comentarista de futebol amador, Almerindo Santos. Certa vez a bola furou em um chute para a lateral, o zagueiro sem perceber cobrou para Mario que recebeu no meio de campo, driblou três adversários com grande velocidade e fez o gol. Só o goleiro viu que a bola estava furada, quando foi buscá-la no fundo das redes e percebeu que ela mais parecia uma pano-de-prato enrolado.

(Quando o time apareceu em um jornal da região)
Todavia teve um dia que ele não conseguiu botar uma gota de álcool na boca, uns afirmam que não conseguiu, pois sua filha estava muito doente, já outros afirmam que foi o dia que sua ex-mulher ameaçou voltar para casa, causando um grande desespero que isso se realizasse, deixando-o tão nervoso que não conseguia colocar nada goela abaixo, mas na minha opinião, apenas tinha acabado o dinheiro.
Neste dia fatídico, foi jogar sóbrio, completamente sóbrio, parecia que nem sabia mais andar ereto. Os passos eram firmes e em linha reta. É claro que os torcedores estranharam, nem brincavam com ele como de costume. Entrou em campo com os cadarços bem atados, como há muito tempo já não era feito (apenas colocava para dentro da chuteira). Mas o pior ainda estava por vir, além de se mexer em campo, menos do que uma criança que está aprendendo a andar, Mario completou a tarde com um gol contra, ele foi tentar desviar um cruzamento e acabou mandando no ângulo, foi um golaço, não fosse ter sido contra.

(Fatídico gol contra)
Ficou decidido pelo clube, e assumido por Mario o compromisso de que daquele dia em diante, não entrar em campo sóbrio. Haveria ao menos uma garrafa de cachaça reservada para ele.
A última notícia que tive foi que o "Aliados" estava pleiteando um patrocínio da Cachaça “Chapéu de Palha” e que o próprio Mario apareceria na propaganda.
por Pedro Gomes
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