domingo, 20 de junho de 2010

Agora sim, um brasileiro...

Minha Morte Nasceu...
para Moysés Vellinho

Minha Morte nasceu quando eu nasci
Despertou, balbuciou, cresceu comigo
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequenina rua em que vivi

Já não tem aquele jeito antigo
De rir que, ai de mim, também perdi
Mas inda agora a estou sentindo aqui
grave e boa a escutar o que lhe digo

Tu que és minha doce prometida
Nem sei quando serão nossas bodas
Se hoje mesmo...ou no fim de longa vida

E as horas lá se vão loucas ou tristes
Mas é tão bom em meio as horas todas
Pensar em ti, saber que tu existes

(Fonte: QUINTANA, Mário Poesia Completa. Rio de Janeiro:Nova Aguilar; 2005)


E ai está... um bom poeta brasileiro!
Não me lembro da primeira vez que li o Quintana, mas me lembro que ele sempre foi o meu preferido (entre os poetas, claro). Essa sensibilidade (que é tão simples e ao mesmo tempo tão complexa) que ele tem, principalmente quando trata da morte, é de certo modo tão natural que, às vezes, eu acho que fui eu quem escreveu os poemas dele (e de certa forma é verdade, ele traduz pensamento e sentimentos meus, ele só soube com dizer de uma forma explicita, de uma forma que eu não saberia).
Meu livro preferido, ainda hoje é Na Volta da Esquina e, pela magia que esse livro tem no meu imaginário, vai ser difícil ser batido, não que não tenham livros melhores (do próprio Quintana tem, por exemplo A vaca e o hipogrifo), mas esse é mais especial (é só uma questão pessoal).
E para parar com esse sentimentalismo bobo, vamos pra outro poema (que também tem um significado pessoal, mas paramos por aqui, se não...) que demonstra bem aquela simplicidade que eu falava antes (quando se vê, já são seis horas...) e traduz alguns sentimentos meus (quando se vê perdemos o amor da nossa vida...).
Pra resumir: leiam esse poeta, devorem seus livros, ele merece.

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.




(dois, num dia só... ME SUPEREI!)
Voltaremos...

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